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O que nos faz humanos, senão a nossa finitude?

 

Somos mamíferos. E como consequência disso, vivemos em sociedade. Muitos de nós podem ter se esquecido, mas vale lembrar que nós gostamos de nos divertir uns com os outros, nós gostamos de jogar, tocar, suar, fazer refeições em meio à prosa. A gente gosta de se abraçar. De colo, de cafuné, de afago, de carinho, de sexo. Gostamos da presença, gostamos de nos relacionar.

 

E nada disso tem a ver com eficiência, nem produtividade, nem otimização, nem qualquer dessas palavras da moda… Nada disso tem a ver porque na realidade, nós deveríamos poder ter mais tempo vivendo do que trabalhando pura e simplesmente pelo fato de sermos obrigados a pagar por todos os recursos que a terra já nos dá. Água, comida e casa. Tudo isso já foi privatizado. Os espaços públicos foram privatizados. Nossos acessos foram privatizados. Nos isolam. Enquanto nos vendem ”facilidades”. Apostam em nossa comodidade. Já privatizaram os nossos espaços, as nossas relações e até mesmo o espaço cibernético. Agora querem privatizar nossa escrita, nossa arte, nosso pensamento. Chat gpt escrever manifesto!
 

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O trabalho nos traz dignidade? Mas que trabalho? Aquele que nos impede de viver? Aquele que nos esgota? Aquele que não desejamos fazer? Não podemos almejar realizar apenas o ofício que queremos? Porquê?

 

Eu sou artista. Mas não consigo sobreviver apenas da minha arte. Sou obrigado a fazer outras atividades. Isso é normal pra você? Hobby? Não, minha arte não é meu hobby. Posso nem sempre ganhar algum trocado, posso ter que vender muito minha força de trabalho para pagar minhas contas, mas minha arte é meu verdadeiro trabalho.

 

Daí vem uns maluco, gringo, bilionário, dizendo que a gente não precisa mais fazer arte porque os robozinhos deles já copiaram tudo e eles mesmos podem fazer “arte?”. A professora propõe o ditado. A IA copia. E tem gente que acredita! Agora, a gente faz o quê? Ah! Isso não interessa. Pois morramos de fome! Fome do corpo, fome da alma, fome da vida. A gente só queria ser feliz e dar risada, vez ou outra tristes por motivos da vida, mas matam a criatividade das crianças, sofremos violências constantes a vida toda, para nos adaptar a um sistema que nos explora, para então, finalmente… não servirmos pra nada. 

A gente já não serve pra nada, nem para o trabalho forçado a que nos obrigaram, porquê seus robôs já aprenderam a fazer a cópia da cópia mal-feita, que já dá conta do que é necessário… para quem?

 

Se a gente já não serve mais pra nada, que tal criar contextos para desenvolver a nossa arte, desenvolver os nossos meios para sobreviver no futuro?

 

Somos mamíferos, vivemos em sociedade. Somos humanos, contamos histórias. Somos mortais e desejamos burlar a nossa finitude. Não como esses bilionários querem, não fazendo procedimentos em nossas peles, nem substituindo nomes de alimentos por nutrientes, mas fazendo aqui um pacto.

Nosso pacto é o de ter um compromisso com a nossa imortalidade.

E tendo um compromisso enorme com a nossa imortalidade, quais são as artes que criaremos?

 

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Sabendo que há a perspectiva de um fim, como artistas podemos pensar como devemos nos implicar no mundo nos termos que são bons pra gente. 

 

Como artistas, o que estamos dispostos a fazer, sabendo que a sociedade em que vivemos opera através da dominação e colonização de todos os corpos, de toda a criação e criatividade?

 

Uma coisa é certa e podemos afirmar: robôs não podem fazer arte porque não são mortais. E passamos do limite de nos revoltarmos. Já nós, humanos, mortais, podemos nos tornar imortais através da nossa arte. Esse é o nosso compromisso com as gerações futuras. A partir de agora, cada acorde, cada pincelada, cada imagem, cada gesto será realizado a partir dessa perspectiva. Mesmo que nos esqueçamos disso. Mesmo que ninguém leia este texto.

 

É tendo compromisso com esse pacto que nasce o novo álbum intitulado Sonora Fantasma te ama. Como se fosse a última coisa que podemos fazer na vida. Como se fosse a última obra que podemos passar adiante. De todo nosso coração dilacerado, nasce um disco feito por humanos mortais, que criam arte e que orgulhosamente compartilham e apresentam esse novo repertório de 8 novas canções com todos vocês.

 

No mais, lembrem-se crianças:

Dê ao bot o que é do bot. 

Streaming é pirataria legalizada para bilionários engravatados ganharem dinheiro às custas do trabalho árduo de artistas.

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